sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Coréia do Norte - O fantasma da bomba

Quase 20 anos após o fim da Guerra Fria, o mundo ainda vive sob a ameaça de um conflito envolvendo armamentos atômicos, como mostra a crise com a Coréia do Norte.
Na madrugada de 25 de maio de 2009, 39 estações sísmicas ao redor do mundo detectaram um tremor de 4,52 graus na escala Puchter na Coréia do Norte. Pensou-se, primeiro, em terremoto. Mas não. Era um teste nuclear subterrâneo, conforme anunciou horas depois o governo norte-coreano. Foi a se¬gunda explosão atômica subterrânea feita pelo país em três anos e provocou forte reação da comunidade internacional.
Em uma reunião de emergência convoca¬da após o teste, o Conselho de Segurança da ONU condenou por unanimidade a explosão e, imediatamente, passou a discutir uma resolução para endurecer as sanções contra o governo comunista norte-coreano, um dos regimes mais fechados do mundo.

Prós e contras

A pressão das potências ocidentais sobre a Coréia do Norte expõe a tensão nuclear permanente sob a qual o mundo vive, quase duas décadas depois do fim da Guerra Fria. O problema coreano é a crise do momento, mas está longe de ser o único que preocupa. Também na Ásia, a índia e o Paquistão, am¬bos detentores de arsenal atômico, mantêm tensa disputa de fronteiras há mais de 50 anos. O Irã é outro foco de tensão, pois, apesar de o governo iraniano reafirmar a intenção pacífica de seu programa nuclear, o Ocidente teme que o enriquecimento de urânio tenha como finalidade desenvolver a bomba atômica. Ao mesmo tempo, tudo indica que, também no Oriente Médio, Israel tenha armamentos atômicos. E as preocupações vão além, porque é possí¬vel que parte do velho arsenal da União Soviética tenha caído em mãos ignoradas potências atômicas, com mais de 40 anos do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, o desarmamento ainda não andou.
Diferentemente do que muita gente pensa, o domínio sobre a energia do áto¬mo não é sinônimo de poder destrutivo, pode também ter muitos efeitos benéficos para o ser humano. Entre eles citam-se a medicina, a produção de alimentos e as políticas ambientais como áreas nas quais a radioatividade exerce um papel importante. Além disso, num mundo em que a produção de energia está baseada na queima de com¬bustíveis fósseis, com sua emissão de gases poluentes a geração de eletricidade com energia nuclear aparece como uma alternativa menos prejudicial. Basta lembrar que a França produz mais
de 75% de sua energia elétrica em usinas atômicas. Não se pode esquecer, porém, o perigo de contaminação das usinas em caso de acidente - como em Three Mille Island, nos Estados Unidos, em 1979, e em Cherno-byl, na URSS (região da atual Ucrânia), em 1986. Nesse último acidente, o mais grave da história, uma nuvem radioativa cobriu boa parte da Europa. Dezenas de milhares de pessoas morreram, tanto no momento do acidente, quanto nos anos seguintes.
Quando se lida com energia nuclear todo o cuidado é pouco. Até um pequeno equi¬pamento pode virar foco de um desastre. Isso ocorreu no Brasil em 1987, quando um aparelho de radioterapia (para tratamento médico), abandonado de forma irrespon¬sável, foi parar em um ferro-velho em Goi¬ânia (GO). Feito em pedaços, liberou seu material radioativo - o césio 137 -, matando quatro pessoas e contaminando 621.

Tratado nuclear

Não é à toa que, para boa parte da humanidade, a manipulação da força do átomo se identifique com um risco do apocalipse: está muito presente na memória coletiva a colossal destrui¬ção causada pela bomba atômica nas cidades japonesas de Hiroshima, em 6 de agosto de 1945, e Nagasaki, três dias depois, em que morreram no total 170 mil pessoas de imediato, e muitas outras nos anos seguintes. Isso ocorreu no fim da II Guerra Mundial.
Com o desenvolvimento da bombatam-bem pelos soviéticos, a corrida nuclear tornou-se um dos elementos centrais do período da Guerra Fria, de 1945 a 1991. Passaram a ter armas atômicas, além dos EUA e da URSS, os governos de Reino Unido, França e China. Estávamos nesse ponto quando, temendo a multiplicação dos arsenais nucleares, fechou-se em 1968 o acordo conhecido como Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP).
Assinado atualmente por 188 países, o tratado divide as nações em dois blocos:
Os cincos países que explodiram uma bomba atômica antes de 1° de janeiro de 1967: EUA, Federação Russa, China, Rei¬no Unido e França (que também são os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU). Eles possuem pleno domínio da tecnologia nuclear - inclusi-ve para fins militares - e têm liberdade para ampliá-lo, mas não podem repassar sua tecnologia bélica para outros. O Os demais países (os não-nucleares), que podem pesquisar e desenvolver a energia atômica para fins pacíficos, sujeitando-se às inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica.
No decorrer dos anos, outros três países capacitaram-se para produzir armas nu¬cleares - Israel, índia e Paquistão - e não aderiram ao tratado, índia e Paquistão ex¬plodiram bombas
e fizeram questão de anunciar o feito. Israel nunca admitiu, mas também não nega que possua tais mas. A Coréia do Norte abandonou o TNP em 2002.
Enquanto isso, outro tratado, negociado em 1996, tenta proibir todas as explosões nucleares. O Tratado de Proibição Total de Testes Nucleares (CTBT), porém, não pode entrar em vigor antes de ser ratificado pelos 44 países que participaram das negociações e têm força nuclear ou reatores de pesquisa. Entre os que não assinaram o acordo, estão Estados Unidos e China.

Coréia do Norte

A protagonista da atual crise, a Co¬réia do Norte, vive há seis décadas em um regime comunista fechado, numa ditadura de partido único, enfrentando dificuldades econômicas que afundam o país na pobreza. O jogo de pressão com o poderio nuclear se desenrola faz alguns anos e parece uma forma de arrancar ajuda econômica e barganhar garantias de segurança.
O país é parte da antiga Coréia, nação milenar que foi palco do primeiro grande confronto militar da Guerra Fria. Ao fim da II Guerra Mundial, a península corea¬na foi dividida ao meio: a parte norte foi ocupada pela URSS e a parte sul, pelos EUA. Os dois Estados (República Demo¬crática Popular da Coréia, no norte, e Re¬pública da Coréia, no sul) foram criados em 1948, e ambos reivindicam o direito sobre todo o território coreano.
Em 1950, os norte-coreanos invadiram o sul, iniciando a Guerra da Coréia. Mais de 5 milhões de pessoas morreram em três anos. Uma trégua foi assinada em 1953, mas oficialmente a guerra não che¬gou ao fim até hoje. A fronteira entre os dois países é um dos locais mais militarizados do planeta. A Coréia do Norte tem cerca de 1,2 milhão de soldados, número expressivo para uma população de 23,9 milhões de habitantes.
A crise entre os países ocidentais e os norte-coreanos adquiriu contornos mais graves quando o presidente George W. Bush afirmou, em 2002, que a Coréia do Norte, o Irã e o Iraque constituíam o "eixo do mal" - países acusados de apoiar organizações terroristas e pro¬duzir armas de destruição em massa. Pouco depois, o Iraque foi atacado. Os norte-coreanos, então, aceleraram suas pesquisas para fabricar armas nucleares e abandonaram o TNP. Em 2003, iniciam-se as "negociações a seis", integrando as duas Coréias, Federação Russa, China, Japão e Estados Unidos.
Pressão e barganha

Três anos depois, a primeira detonação atômica da Coréia do Norte, em 9 de ou¬tubro de 2006, causou forte repercussão mundial. Seu teste nuclear foi condenado inclusive pela China, sua grande aliada. Em reação, o Conselho de Segurança da ONU aprovou por unanimidade uma resolução que impôs sanções ao país. Entre outros pontos, exigia-se que os norte-coreanos suspendessem o programa nuclear e eli¬minassem as armas atômicas. A Coréia do Norte voltou à mesa de negociações.
Para alívio geral, e sobretudo dos países vizinhos, os norte-coreanos aceitaram em 13 de fevereiro de 2007 um acordo pelo qual suspendiam suas atividades atômicas. Pelos termos acer¬tados, a Coréia do Norte concordava em "desativar" o programa nuclear em troca de garantias de segurança por parte dos norte-americanos e do fornecimento de energia: a cada ano, l milhão de tonela¬das de óleo combustível e l milhão de quilowatts de energia elétrica.
Alegando dificuldades técnicas, o go¬verno arrastou o desmantelamento do programa por meses e meses. Em outubro de 2008, a Coréia do Norte foi "removida" formalmente do "eixo do mal". No mês seguinte, porém, o país impediu a vistoria de inspetores a seu complexo nuclear, provocando descontentamento em Wa¬shington. Em dezembro, reduziu ainda mais o ritmo do desmantelamento do pro¬grama nuclear, após os norte-americanos suspenderem a ajuda econômica.
Em abril de 2009, o país deixou no¬vamente em alerta a comunidade inter¬nacional ao disparar um míssil de longo alcance, que poderia eventualmente ser usado para transportar uma ogiva nu-clear. O regime, porém, afirmou que se tratava apenas do lançamento de um satélite de comunicação.
O caldo entornou de vez com o segundo teste nuclear, em maio de 2009, que mos¬trou o rompimento completo do acordo anterior e deu indicações sobre um pos¬sível aumento no poderio bélico norte-coreano. O tremor medido em 2006 havia ficado em 4,1 pontos da escala Richter; agora, passou para 4,52. Avalia-se que o poder da explosão chegou perto de 10 quilotons, um aumento bastante considerável em relação à força de apenas l quiloton do primeiro teste (o equivalente à explosão de mil toneladas de dinamite).
Fragilizada pela estagnação econômica, pelo isolamento político e por uma grave escassez de alimentos, a Coréia do Norte insiste em tentar usar o poderio nuclear para voltar mais forte à mesa de negocia¬ções com outros países. Por enquanto, acredita-se que os norte-coreanos não detenham tecnologia suficiente para construir uma ogiva nuclear pequena o bastante para ser colocada num míssil. Reduzir o tamanho do artefato atômico até o ponto de usá-lo como arma pode ainda demorar alguns anos. Mas o tempo está passando, e não há mostras de que se está caminhando para uma solução pacífica e segura. [El
EUA E RÚSSIA DISCUTEM NOVO PACTO PARA REDUÇÃO DE ARSENAL NUCLEAR
Os presidentes dos EUA, Barack Obama, e da Rússia, Dmitri Medvedev, con¬cordaram ontem em negociar um novo
acordo para redução do arsenal nuclear dos dois países. Em um comunicado conjunto divulgado em Londres (...), eles disseram ter dado sinal verde para seus negociadores e esperam resultados em julho, quando o presidente americano visitará Moscou. Fontes americanas e russas citadas pelo jornal The New York Times estimam que a redução pode chegar a um terço do arsenal de cada um. O novo acordo substituirá o Tratado de Redução de Armas Estratégicas (Start-1, na sigla em inglês), assinado em líque expira em dezembro. Atualmente, os EUA têm 2,2 mil mísseis nucleares estratégicos, e a Rússia, 2,8 mil.
Segundo o último acordo bilateral rele¬vante, o Tratado sobre Reduções Estratégicas Ofensivas(Sort, na sigla em inglês), de 2002, Rússia e EUA deveriam manter um limite de ogivas entre1,7mil e 2,2 mil. A expectativa é de que o novo tratado supere as reduções previstas no Sort.
í,..) O anúncio das negociações, a primeira grande discussão estratégica entre russos e americanos desde 1997, marca a reaproximação entre Kremlin e Casa Branca. Durante o governo de George W. Bush, a relação entre os dois países entrou em crise em razão da insis-tência dos EUA em instalar um escudo antimíssil no Leste Europeu (.„),
O Estado de S. Pauto, 2/4/2009
O Brasil enriquece urânio

Signatário do Tratado de Não-Proliferação Nuclear(TNP)desde 2006,o Brasil enriquece urânio para abastecer a usina atômica de Angra dos Reis (RJ). O urâ¬nio, extraído nas minas de Caetité (BA), é transformado em combustível para o reator atômico nas Indústrias Nucleares do Brasil (INB), em Resende (RJ).
O enriquecimento de urânio é um proces¬so pelo qual se aumenta a concentração do isótopo U-235, que serve para liberar energia nuclear. A atividade está prevista no TNP, desde que seja para fins pacíficos. Para abastecer uma usina, o enriquecimento do urânio é feito até atingir 3,2% de U-235. Quando se enriquece até cerca de 20%, obtém-se combustível para um submarino nuclear, justamente o projeto que o Brasil desenvolve desde 1979.0 enri-quecimento tem de passar de 90% para a fabricação de uma bomba atômica. As ins¬peções periódicas da Agência Internacional de Energia Atômica visam a garantir que o enriquecimento do urânio seja feito no nível acertado só para o uso pacífico.
Hoje, o Brasil tem em funcionamento as usinas atômicas Angra l e II para gerar ener¬gia elétrica. Angra III está em construção.

Fonte Atualidade vestibular – editora Abril

2 comentários:

  1. não há nada mais justo do que a Coreia do norte fazer suas bombas nuclear, se os estados unidos tem para intimidar as nações e causar opressão no mundo, parabéns a Coreia do norte que passou por cima dos poderosos e fez a bomba atómica, agora so falta adquirir estatos de potência atómica.

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  2. Coreia do norte está de parabéns, porque os estados unidos sempre intimidou as nações então isso tem que mudar, quero ver se os americanos de merda vão fazer com a Coreia do norte o que fizeram com o Iraque, e Afeganistão, qualquer ameaça dos estados unidos a Coreia do norte tem revidar com todo seu arsenal nuclear para revanche do que eles fizeram com o japão.

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