sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Guerra Fria e sangue quente

Guerra Fria e sangue quente
Há duas décadas, a queda do Muro de Berlim sinalizava o fim da Guerra Fria, rivalidade entre os blocos liderados pelos Estados Unidos (EUA) e pela União Soviética (URSS), que alimentava a tensão geopolítica glo¬bal e dava combustível para os negócios da indústria armamentista. Mas, diferen¬temente do especulado, diversas partes do globo continuam sendo cenários de guerras, e os fabricantes de armas pros¬seguem comemorando bons negócios.
Em 2007 cresceu o número de conflitos no mundo e os gastos militares subiram 6% em relação ao ano anterior, de acordo com o Instituto Internacional de Pesqui¬sas da Paz de Estocolmo (Sipri), alcan¬çando a gigantesca cifra de 1,339 trilhão de dólares (o equivalente ao Produto Interno Bruto do Brasil). Desde 1998, as despesas mundiais com armamento militar aumentaram 45%.
Os Estados Unidos (EUA) foram res¬ponsáveis por quase metade (45%) desse total. Em 2007, o pais gastou 547 bilhões de dólares em armas, a maior quantia desde a II Guerra Mundial. A recente elevação dos gastos militares foi desencadeada com a guerra contra o terror, iniciada pelo ex-presidente George W. Bush após os atentados terroristas contra o país, em 11 de setembro de 2001, e o envio de tropas ao Iraque e ao Afeganistão. A índia e a China também ampliaram bastante seus gastos militares no último período.
O resultado é que, em 2007, os governos do mundo gastaram com armas 2,5% do PIB global, ou seja, de tudo o que a huma¬nidade produziu no ano. Entre 2003 e 2007, os países desenvolvidos, como EUA, Reino Unido, França e Alemanha, além da Fede¬ração Russa, foram os maiores vendedores de armas, enquanto nações em desenvol¬vimento, como China, índia, Emirados Árabes Unidos, Coréia do Sul e Grécia, se tomaram os maiores compradores.
As 100 maiores empresas armamentistas do planeta faturaram 315 bilhões de dólares em 2006. A produção é for¬temente concentrada: entre essas 100 companhias, 41 são dos Estados Unidos, e sua atividade é um dos pilares da eco¬nomia do país. As despesas militares em 2007 (descontada a inflação do período) são maiores do que as registradas em 1987 e 1988 - anos de auge dos gastos bélicos, em meio à corrida armamentista da Guerra Fria.
Novo cenário

Após o fim da URSS, em 1991, só restou uma superpotência, os EUA. Nessa nova fase, a maior parte dos conflitos passa a ocorrer não mais entre países, e sim no in¬terior de determinadas nações. De acordo com o Sipri, em 2007 existiam 14 combates militares de grandes proporções em 13 regiões do globo. Há os embates conside¬rados internacionais, como a Guerra do Iraque, e os que se situavam no interior de nações, tomando a forma de guerras civis e guerrilhas (quando grupos armados visam à derrubada de um governo, como ocorre na Colômbia), ou de movimentos separatistas (quando minorias étnicas ou religiosas lutam para obter a independência de parte do território, como se dá com os curdos).
O número de ataques terroristas também aumentou. Relatório do governo norte-ame¬ricano mostra que em 2007 houve 14.499 atentados terroristas pelo mundo, que resul¬taram em22.685 mortes. Somente no Iraque foram mais de 6 mil ataques, quase o dobro do registrado dois anos antes. Outra fonte de tensão crescente são as divergências no interior do Tratado de Não-Proliferação Nuclear.
Conflitos internos

A persistente desigualdade econômica e social entre países, regiões e indivíduos e a intensa competição econômica interna¬cional - resultantes da globalização - são apontadas por estudiosos como fatores que aumentam as tensões em muitas sociedades, agravando o risco de conflitos violentos.
Um dos fatores de renascimento das dis¬putas étnicas é o fim do bloco soviético, no qual as aspirações nacionais de vários povos eram até sufocadas por um poder central forte. Nos 15 países que surgem (Federação Russa, Cazaquístào, Ucrânia etc.), diversos
grupos levantam a bandeira da independência, como ocorre na Chechênia, que luta para se libertar do Estado russo. No caso da guerra entre a Federação Rus¬sa e a Geórgia, em 2008, o motivo é a declaração de independência da região da Ossétia do Sul em relação ao Estado georgiano, que recebe apoio dos russos (interessados em reforçar sua influência direta na região).
Com freqüência, conflitos étnicos estão vinculados a questões econômicas, como ocorre na África. Outros têm como pano de fundo o fortalecimento de grupos fundamentalistas. Esses movimentos, que existem em diferentes religiões, buscam nos textos considerados sagrados a base para a organização da vida social e política. É uma posição oposta à perspectiva secular, que separa os assuntos do Estado das ques¬tões religiosas. Exemplos são as atividades de facções fundamentalistas islâmicas em países no centro-norte da África (Argélia, Sudão), no Oriente Médio (Líbano, Israel, Iraque) e na Ásia Central (Afeganistão).

Guerra em Gaza

Entre os conflitos do mundo moderno, um dos mais prolongados é o que envolve israelenses e palestinos, em torno da existência do Estado de Israel, procla¬mado em 1948. Os dois lados lutam por territórios em um mesmo espaço físico no Oriente Médio, a antiga Palestina.
Na última semana de 2008, o ataque israelense aos palestinos na Faixa de Gaza ganhou as manchetes de jornais no mundo todo. Em 27 de dezembro, Israel iniciou uma operação militar na área, densamente habitada por palesti¬nos, sob a justificativa de dar um fim aos disparos de foguetes contra seu território, atribuídos ao movimento islâmico fundamentalista Hamas. Os foguetes causaram prejuízos, deixando alguns feridos.
O ataque não foi uma surpresa porque, alguns dias antes, a trégua de seis meses com Israel havia sido rompida oficialmente pelo Hamas. O grupo alegou que os israe¬lenses mantiveram, durante esse período, o bloqueio à Faixa de Gaza, impedindo a entrada ou saída de pessoas e mercadorias. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a situação provocou uma grave cri¬se humanitária na Faixa de Gaza, devido à falta de alimentos, medicamentos e outros gêneros de primeira necessidade.
Com três semanas de ataque - primeiro por ar, com mísseis, depois por terra, com a invasão de tanques e tropas -, Is¬rael conseguiu matar líderes do Hamas, prender centenas de supostos militantes e reduzir a ruínas a infra-estrutura local. As maiores perdas ocorreram entre civis: mais de 1,3 mil palestinos morreram - boa parte deles, crianças.
Ainda assim, os disparos de foguetes de baixo alcance contra cidades israelenses prosseguiam. Israel exige garantias de segurança nas fronteiras da Faixa de Gaza para evitar o rearmamento do Hamas e justificou a ofensiva terrestre como forma de destruir os túneis que servem para a entrada de armas na Faixa de Gaza via Egito (mas que os palestinos usam para furar o bloqueio e permitir a entrada de todo tipo de gêneros).
Luta prolongada

A disputa pelos territórios entre pales¬tinos e israelenses prolonga-se por mais de 60 anos. Com a criação do Estado de Israel, em 1948, centenas de milhares de palestinos foram expulsos de suas terras e moradias e se fixaram nos territórios de Faixa de Gaza e Cisjordânia e nas nações vizinhas.
A idéia da formação do Estado judaico teve origem no sionismo, movimento surgido na Europa no fim do século XIX. Ao fim da I Guerra Mundial, em 1917, a Palestina - havia 400 anos sob o domínio do Império Turco-Otomano - passou ao controle do Reino Uni¬do. Os britânicos apoiaram o estabelecimento de um Estado judeu na região.
Ao final da II Guerra Mundial - e após o holocausto, o genocídio de 6 milhões de judeus pelo Exército nazista -, a ONU apro¬vou, em 1947, a divisão da Palestina em dois Estados - um para os judeus, outro para os árabes, que rejeitaram o plano. Em 14 de maio de 1948 foi criado o Estado de Israel. Cinco países árabes enviam tropas para impedir sua fundação. A guerra, conhecida como Guerra da Independência, terminou em janeiro de 1949, com a vitória de Israel. Cerca de 700 mil palestinos fugiram. Em seguida, o Egito incorporou a Faixa de Gaza e a Jordânia recebeu a Cisjordânia e Jerusalém Oriental. Os palestinos ficaram sem território.
O Estado árabe, previsto pela ONU, não foi proclamado, e os israelenses passam a controlar 75% do território da Palestina. Nas décadas seguintes, por diversas vezes, israelenses e árabes entraram em guerra. Como resultado de vitórias militares, Israel consolidou sua posição e expandiu o terri¬tório. No fim dos anos 1970, iniciou a busca de alianças de paz. Em 1977, o presidente egípcio Anuar Sadat (1918-1981) visita Jeru¬salém, o que abre caminho para os acordos de Camp David (1978/1979), mediados pelos EUA. O Sinai, ocupado pelos israelenses, é devolvido ao Egito em 1982.
No mesmo ano, o Exército israelense invade o Líbano e cerca sua capital, Beiru¬te, para destruir o quartel-general da Or¬ganização para a Libertação da Palestina (OLP), cujo líder era Yasser Arafat (1929-2004), do grupo Al-Fatah. Israel retira-se da maior parte do Líbano em 1985.
Coube ao premiê Yitzhak Rabin reiniciar negociações com os árabes, chegando aos Acordos de Oslo (1993), que levam à criação da Autoridade Nacional Palestina (ANP), embrião de um governo para administrar os territórios palestinos (Cisjordânia e Faixa de Gaza). Rabin foi assassinado em 1995 por um extremista judeu. Nos anos seguintes, colonos judeus multiplicaram assentamentos nos territórios palestinos, sobretudo na Cisjordânia, criando enclaves fortemente armados em meio à população palestina, o que acirrou as tensões.
Intifada

Em 1987 eclode unia rebelião popular nos territórios palestinos conhecida como Inti¬fada ("levante", em árabe). Israel reprime com violência os manifestantes, que, com freqüência, usam pedras para enfrentar as tropas. A segunda Intifada ocorre a partir de setembro de 2000.0 então líder da ANP, Arafat, é sitiado em seu quartel-general em Ramallah por tropas de Israel. Fracassam as novas negociações de paz.
Em 2003, o presidente Bush, o primei¬ro-ministro da ANP, Mahmud Abbas, e o então premiê de Israel, Ariel Sharon, comprometem-se com um plano de paz conhecido como Mapa da Estrada. A pro¬posta prevê medidas graduais e resultaria
na criação de um Estado pales¬tino nos territórios. A violência, porém, não cessa. Em outubro de 2004, morre Arafat, e Abbas é eleito presidente da ANP.
Em 2005, Israel termina a retirada dos assentamentos judaicos na Faixa de Gaza - onde 8,5 mil colonos judeus viviam em meio a mais de l milhão de palestinos - e de quatro colônias na Cisjordânia. E a primeira vez que o governo israelense retira colonos de áreas palestinas. A medida israelense é vista corno um meio de consolidar os assentamentos israelenses na Cisjordânia e isolar as populações palestinas com a construção de um muro na Cisjordânia, que, apesar da condenação internacional, contínua sendo ampliado.

Refugiados

Os palestinos constituem o maior con¬tingente de refugiados do mundo. Segundo a ONU, são 4,6 milhões de pessoas sem um território reconhecido como Estado. Atualmente, cerca de 1,5 milhão de pa¬lestinos espremem-se na Faixa de Gaza uma fatia de 45 quilômetros de comprimento e 10 quilômetros de largura, com uma das maio¬res densidades populacionais do planeta e grande índice de pobreza - a maioria de seus moradores vive com menos de 2 dólares ao dia. As condições precárias da vida ali facilitam a influência de grupos radicais, como o Hamas.
Criado há 20 anos por líderes religiosos muçulmanos, o Hamas não reconhece Israel e quer a formação de um Estado islâmico em toda a Palestina. Eleito para o governo da ANP em 2006, o Hamas governa a Fai¬xa de Gaza e é considerado terrorista pela União Européia e pelos EUA. Para muitos palestinos, porém, é uma organização que luta por uma pátria para eles.
Não está à vista uma paz duradoura na região. Além das grandes diferenças de pontos de vista entre o governo israelense, o presidente da ANP, Abbas, e o Hamas, há os refugiados palestinos, que anseiam recu¬perar suas terras, na área em que fica Israel. Os israelenses não aceitam conversar sobre a volta dos refugiados a seu território.
Superpotência

Sem o contraponto soviético, desde o fim de 1991, os EUA se estabelecem como a única superpotência política e militar. Donos do maior orçamento bélico do mundo, os norte-americanos usam sua poderosa máquina de guerra e intervém em outras nações quando consideram seus interesses ameaçados. Na década de 1990, os EUA realizaram as maiores operações militares internacionais des¬de 1945: a Guerra do Golfo (1991) e os bombardeios contra a província servia de Kosovo, na ex-Iugoslávia, com o apoio das Nações Unidas e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Em resposta aos atentados de setembro de 2001, Bush recebeu suporte da ONU para deflagrar a guerra no Afeganistão, contra o regime do Taliban, que dava apoio ao terrorista Osama Bin Laden. Mas na guerra contra o Iraque, em 2003,
que derrubou Saddam Hussein, os EUA e alguns aliados próximos atacaram sem o aval da ONU e contra a posição de velhos aliados, como a Alemanha e a França.
Essa atitude cristalizou a Doutrina Bush, que previa ataques preventivos a países que pudessem ser considerados uma ameaça aos Estados Unidos, mesmo antes de qualquer agressão. Assim, regi¬mes tidos como inimigos de Washington, como os do Irã, da Síria e da Coréia do Norte, passaram a ser pressionados tão logo o Iraque foi ocupado.
Um efeito associada à Doutrina Bush foi o enfraquecimento da ONU como fó¬rum multilateral. Nos últimos anos, uma reforma nas estruturas da organização vem sendo insistentemente discutida por diversos países. A chegada de Barack Obama à Presidência dos EUA pode ser o fim da Doutrina Bush.

Afeganistão

O conflito no Afeganistão, na Ásia Central, já dura três décadas e, até 2008, matou 102 mil pessoas. No país, diversos grupos étnicos e uma multiplicidade de clãs se enfrentam pelo domínio de territórios, e o intenso culti¬vo de papoula em parte do país (para a produção de ópio) acirra as disputas. A invasão
soviética, de 1979 a 1989, insuflou o ânimo dos guerrilheiros islâmicos (mujahedins) e permitiu seu armamento (financiado pelas nações ocidentais, sobretudo os EUA). Eles expulsaram os russos e depois, divididos em facções, passaram a guerrear entre si. A milícia fundamentalista Taliban chegou ao poder em 1995 e foi derrubada pelas tropas norte-americanas em 2001. Desde então, parte do montanhoso país está ocupada por tropas de fora.
O atual governo de Hamid Karzai, aliado dos EUA, não consegue conter os ataques do Taliban, particularmente no sul do país, onde um contingente de 51 mil soldados da Otan enfrenta os rebeldes. Há uma tensão permanente com o vizinho Paquistão, pois existem evidências de que tanto o Taliban quanto o grupo terrorista Al Qaeda têm bases em território paquistanês. Na prática, o governo do Paquistão exerce pouco controle sobre sua região fronteiriça.

Iraque

O Iraque é hoje um país ocupado por tropas estrangeiras. Apesar de existi¬rem um governo formalmente eleito e uma Constituição, aprovada em 2005, o poder político real se sustenta com base nas forças militares norte-americanas e britânicas desde 2003. Houve, já no início, uma resistência armada à presença dos exércitos de ocupação. Os insurgentes (sunitas e xiitas) têm como principais alvos as tropas aliadas, as organizações internacionais e os civis iraquianos que colaboram com os estrangeiros. Entre os combatentes, há os nacionalistas, os partidários de Saddam Hussein e os fundamentalistas religiosos, além de terroristas ligados à rede Al Qaeda.
No fim de 2008, os Estados Unidos mantinham no país mais de 140 mil sol¬dados, além de 8 mil militares de outras nações, em sua maioria britânicos. As exportações de petróleo, a principal riqueza iraquiana, estavam sob o controle dos norte-americanos, que usam a receita para custear parcialmente as despesas de reconstrução nacional.
O presidente norte-americano Barack Obama assumiu em janeiro afirmando que pretende retirar o grosso das tropas do Iraque, mas não fixou data para isso. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 150 mil iraquianos tenham morrido desde 2003 por causa dos conflitos. Segundo as Nações Unidas, 4 milhões de iraquianos foram expulsos de seu lar pela violência. Grande parte refugiou-se nos vizinhos Síria (1,2 mi¬lhão) e Jordânia (750 mil).

África

Dominado pela miséria, mesmo tendo extensas riquezas naturais, o continen¬te africano registra graves conflitos. O mais agudo, atualmente, é o que atinge a população de Darfiir, no seco oeste do Sudão. Estima-se que os choques armados tenham causado mais de 300 mil mortes em cinco anos, além de 2,2 milhões de refugiados, parte deles no Chade, país vizinho. O móvel do embate é a disputa por terras opondo agricultores e pastores, numa região árida. A guerra ganha contornos étnicos, pois os pastores consideram-se árabes. Um acordo de paz é assinado em março de 2008. Tropas da ONU e da União Africana fiscalizam o acordo.
Na República Democrática do Con¬go, no coração da África, a disputa pelos recursos minerais alimenta um conflito que já dura mais de dez anos. Apesar de haver uma trégua assinada em 2003, grupos armados continuam em luta. Na Costa do Marfim, a guerra civil tem como pano de fundo a tensão étnica entre populações do sul (predominantemente cristã) e do norte (islâmica). E o mesmo cenário de diversos países ao sul do Saara, como Burkina Fasso e Nigéria. No leste africano, a Somália desintegrou-se como país em 15 anos de guerra civil. Em 2008, notabilizou-se como base de navios piratas, que atacam transa¬tlânticos no oceano Indico.
O fantasma da bomba atômica

O uso da bomba atômica por algum país ou grupo terrorista continua assombrando a humanidade. Nas únicas vezes em que a arma foi utilizada contra populações civis, em Hiroshima e Nagasaki, no Japão, no fim da II Guerra Mundial, em 1945, foram mortas mais de 180 mil pessoas.
A posse de armas nucleares por países é regulada pelo Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), de 1968. Ele definiu que as nações que já dominavam à época a tecnolo¬gia das armas nucleares - EUA, China, Reino Unido e França - poderiam manter sua posse, mas sem transferir para outros países. Além disso, comprometiam-se a reduzir seus arse¬nais atômicos. O acordo previa, ainda, que os demais signatários poderiam desenvolver tecnologia nuclear para fins pacíficos.
Mas, passados mais de 40 anos, vários pontos do TNP não funcionam direito. Os vizinhos e rivais índia e Paquistão possuem bombas atômicas . Israel não assume oficialmente, mas é tido como potência nuclear. Em 2006, a Coréia do Norte anunciou ter testado uma bomba atômica. Ao mesmo tempo, os países com poderio atômico negam-se a discutir a re¬dução de seu arsenal.
A disputa mais importante, atualmente, envolve o Irã. O país está enriquecendo urânio para fins pacíficos, o que está de acordo com o TNP. Mas, ao dominar a tecnologia de enriquecimento de urânio, a nação poderá, se quiser, avançar até pro¬duzir a bomba atômica. O problema é que diversos países, a começar pelos Estados Unidos, não confiam no governo iraniano, que se opõe à presença das tropas norte-americanas no Iraque e é inimigo do Es¬tado de Israel. Tentam, então, pressionar o Irã a interromper o enriquecimento de urânio, ameaçando com sanções na ONU, mas também oferecendo contrapartidas benéficas caso haja concordância.

Para saber mais leia: Atualidades vestibular 2009 – Ed. Abril

Nenhum comentário:

Postar um comentário