sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Nos tempos da Guerra Fria

NOS TEMPOS DA GUERRA FRIA

A extinta União Soviética ocupava papel central na política internacional, como principal opositor dos EUA, num confronto que polarizou o mundo entre o bloco capitalista e o comunista por mais de 40 anos, após o fim da II Guerra

O grande símbolo do fim da Guer¬ra Fria foi a queda do Muro de Berlim, em novembro de 1989. No fim daquele ano, as autoridades de fronteira não puderam mais impedir a população de passar pelo muro que divi¬dia a cidade de Berlim ao meio, metade sob governo da Alemanha Ocidental e outra parte em território da Alemanha Oriental. A divisão do país vinha des¬de o fim da II Guerra Mundial (1945), embora o muro tenha sido construído apenas em 1961.
O Muro de Berlim simbolizava a sepa¬ração do mundo em dois blocos: aque¬le constituído pelos países capitalistas encabeçados pelos Estados Unidos e o de países socialistas ligados à extinta União Soviética (URSS). A seguir, foi dado o golpe de misericórdia na Guerra Fria: a queda dos regimes comunistas do Leste Europeu resultou na desagregação da Iugoslávia, da Tchecoslováquia e da União Soviética, a partir de 1991.
A Guerra Fria foi o confronto ideológi¬co, político, econômico e militar entre o bloco capitalista e o comunista. Por causa dessa divisão em dois blocos, ou dois pólos, dizia-se que o mundo da segunda metade do século XX era bipolar.
O bloco capitalista era formado pelos Estados Unidos, pelos países da Europa Ocidental - reunidos na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), alian¬ça militar liderada pelos norte-america¬nos - e pelo Japão. O bloco comunista era formado pela URSS e por seus países satélites do Leste Europeu - reunidos no Pacto de Varsóvia, a aliança militar soviética -, além de países como Cuba
(a partir de 1962) e Vietnã. A China estava bem longe de ser a potência econômica de hoje e se achava mais preocupada em consolidar o regime internamente. Atuava externamente junto aos vizinhos asiáticos, mas, desde 1960, mantinha uma relação tensa com Moscou. Houve, ainda, uma tentativa de países em desenvolvimento de formar um terceiro pólo: o Movimento dos Países Não-Alinhados, do qual o Brasil fazia parte, mas que nunca se constituiu num grupo coeso e atuante.

Cortina de Ferro
A Guerra Fria foi iniciada logo após o fim da II Guerra Mundial. A fronteira entre a Europa Ocidental e os países do Leste era chamada de Cortina de Ferro, expressão lançada num célebre discurso do primeiro-ministro britânico Winston Churchill, em Fulton (EUA), em março de 1946,.no qual propôs a formação de uma aliança para com¬bater o avanço do comunismo, segundo ele a grande ameaça que pairava sobre o mundo após a guerra. A Cortina de Ferro incluía os países que haviam ficado sob a influência da URSS na divisão do mundo feita entre os países vencedores da II Guerra Mundial, nos acordos de Yalta e Potsdam.
Essa partição da Europa entre Ocidental e Oriental era simbolizada pela divisão da Alemanha em duas e, mais especificamen¬te, a partir de 1961, pelo Muro de Berlim. A cidade, que ficava na Alemanha Oriental (comunista), havia sido dividida após a guerra em quatro zonas, sob controle de cada uma das quatro potências ocupantes - EUA, URSS, Reino Unido e França -, os países vencedores da guerra. Em 1961, o governo alemão oriental, para estancar o
fluxo de refugiados para o lado ocidental da cidade, construiu o muro cortando Berlim ao meio para impedir o livre trânsito entre as duas partes.

Conflitos esparsos
O termo Guerra Fria se origina da contra¬posição à guerra quente, isto é, à guerra de fato. Isso porque, diante do temor de uma guerra nuclear devastadora, os dois blocos não se enfrentavam diretamente.
Desse modo, o Terceiro Mundo - ex¬pressão da época para indicar os países pobres e em desenvolvimento - era o palco principal de confrontos militares abertos entre os blocos. Forças em choque nas guerras civis e em movimentos anti-coloniais na América Latina, na África e na Ásia acabavam se alinhando a um ou outro bloco, em busca de apoio, como ocorreu em Angola, Moçambique, Vietnã, Coréia, Nicarágua e El Salvador.
O temor de que a América Latina caísse sob influência do comunismo levou os Estados Unidos a apoiar sangrentas di¬taduras militares na região nos anos 1960 e 1970, especialmente após a Revolução Cubana (1959). O continente era visto por Wa¬shington como sua "área de influência" desde o começo do século XX.
Já a URSS mantinha sob rígida vigi¬lância o regime de seus países aliados, invadindo-os para reprimir as tenta¬tivas de rebelião política na Hungria (1956) e na Tchecoslováquia (1968), bem como para controlar o governo do Afeganistão (1979-1989).
O momento mais tenso da Guerra Fria foi o da crise dos mísseis em Cuba. Em 1962, a URSS instalou secretamente mísseis nucleares na ilha, que estava sob sua influência desde a aproximação com o regime de Fidel Castro, em 1961. Os mísseis poderiam atingir Washington em poucos minutos. Os norte-americanos descobriram, e o presidente John Kennedy ordenou um bloqueio naval de Cuba. Moscou chegou a enviar uma frota para um confronto, mas o líder soviético Nikita Khruschov cedeu e retirou os mísseis.

Queda do muro
No fim dos anos 1970, esta¬va claro que o bloco soviético tinha dificuldade em acom•••• panhar o ritmo econômico do Ocidente. Três persona¬gens marcaram o período: o presidente Ronald Reagan, dos EUA, cuja corrida armamentista forçou a URSS a elevar seu gasto militar e acabou por quebrar o país; o papa João Paulo II, que estimulou a contestação do regime comunista em sua Polônia natal; e o líder soviético Mikhail Gorbatchev, que iniciou o processo de abertura política (glasnost) e liberalização econômica (Perestroika) na URSS.
O desfecho ocorreu a partir de 1989. Sob pressão de manifestações pró-democracia, os governos dos países comunistas foram enfraquecendo. Em novembro houve a que¬da do Muro de Berlim. A Alemanha reunificou-se em 1990. Em 31 de dezembro de 1991, a URSS deixou de existir. A Federação Russa manteve 75% do território, metade da população e boa parte dos recursos e do arsenal militar convencional e atômico.

Para saber mais leia: Atualidades vestibular 2009 – editora Abril

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