sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

O Brasil no Haiti, em nome da ONU

O Brasil no Haiti, em nome da ONU

O Brasil começou, ainda no governo Fer¬nando Henrique Cardoso, uma ofensiva diplomática por uma vaga permanente no Conselho de Segurança (CS) da ONU. A po-lítica, reforçada na gestão do presidente Lula, é uma das prioridades do Itamaraty, o Ministério das Relações Exteriores. E a ação mais importante da campanha é a liderança da missão de paz da ONU no Haiti.
As forças de paz da ONU (apelidadas de boinas azuis ou capacetes azuis) reúnem um contingente de cerca de 90 mil militares, po¬liciais e profissionais civis oriundos de mais de 120 países. Além de garantir a paz e a se¬gurança,desarmando antigos combatentes e controlando a violência nas ruas, as forças acompanham os processos de estabilização política e o retorno de refugiados.
O Haiti, de menos de 30 mil quilômetros quadrados (menor que o estado de Alagoas) e 9,8 milhões de habitantes, é uma das na¬ções mais pobres do planeta. Com 80% da população vivendo com menos de 2 dólares por dia, o Haiti tem o segundo menor índice de Desenvolvimento Huma no (IDH) fora do continente africano, atrás apenas de Papua Nova Guiné: ocupa a 148a posição entre as 179 nações avaliadas pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Alta criminalidade, corrupção, violência e desemprego assolam a população, que vive em meio à maior tensão das Américas des¬de 2004, quando o então presidente Jean-Bertrand Aristide foi forçado a renunciar em meio a rebeliões populares.
Enquanto o país assistia a mais uma luta pelo cargo provisoriamente ocupado pelo presidente da Corte Suprema, a ONU envia¬va para lá a Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah). Liderada pelo Brasil, a Minustah tinha como objetivo inicial desarmar os grupos em conflito e dar apoio à estabilização do governo haitiano. Foi com a ajuda dessa missão que o presi¬dente René Preval tomou posse, depois de uma eleição conturbada, em 2006.
O país não vive mais a guerra civil, mas a insegurança persiste, com seqüestres e brigas de bandos armados pelo controle das favelas. A Minustah continua no país, garantindo com presença ostensiva nas ruas da capital, Porto Príncipe, a abertura de escolas e do comércio e a execução de serviços públicos, como a coleta de lixo e o fornecimento de energia elétrica. Em janei¬ro de 2009,o contingente da Minustah era de pouco mais de 9 mil militares e policiais vindos de 47 nações. O Brasil - que tem o maior número de soldados comparecia, àquele mês, com 1,2 mil homens.
Exercer o comando de uma forca de paz internacional é politicamente importante e credencia o Brasil a atuarem outras regiões de conflito, reforçando a importância do país no cenário mundial. Contudo, a missão tem problemas. Um dos principais é de or¬dem financeira: todos os anos, são gastos 120 milhões de reais para a manutenção do efetivo no Haiti. Ao fim de 2008, a conta já ultrapassava os 500 milhões de reais. O dinheiro é fundamental para os haitianos, mas é um valor muito alto se comparado, por exemplo, ao tamanho do orçamento dedicado às nossas Forças Armadas.
Outro questionamento é sobre a eficácia da missão. Além da pobreza, o país sofre com esquadrões da morte ligados a diferentes facções surgidas nas últimas décadas. Os críticos à participação brasileira alegam que estabelecer uma paz duradoura num país assim conturbado depende mais de desenvol¬vimento econômico, melhoria da educação, da saúde e de condições de vida do que do simples controle da criminalidade.

Para saber mais leia: Atualidades vestibular – Editora Abril

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