sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

A Revolução islâmica

A Revolução islâmica
A revolução que instaurou o regime dos aiatolás no Irã completa 30 anos com os conservadores radicais no poder e uma relação tumultuada com o Ocidente.

Teerã, dezembro de 1978. Dois mi¬lhões de iranianos saíram às ruas da capital do país em protesto contra o governo. Era o auge de uma crise que acabou se transformando numa revolução que mudou radicalmente o cenário políti¬co do Irã. A Revolução Islâmica levou ao poder o aiatolá Khomeini e os xiitas, um grupo de religiosos muçulmanos fundamentalistas, de práticas antiamericanas e anti-ocidentais. A mudança de titulares no poder afetou profundamente as relações entre o Oriente Médio e o Ocidente.
No decorrer do século XX, o Irã foi um aliado das nações ocidentais. No início do século, os britânicos exploravam a maior parte do petróleo do país, que nessa época era governado pelo sultão Ahmad Mírza, o último da dinastia Kajar. Um golpe de Estado em 1921 levou ao poder o general Reza Khan, que se autonomeou monarca — xá para os persas — com o nome de Reza Shah Pahlevi. Nacionalista, ele mudou o nome do país de Pérsia para Irã, aboliu o uso obrigatório do véu e suspendeu os contratos de exploração petrolífera que favoreciam os ingleses.
Disposto a manter a neutralidade do país durante a II Guerra Mundial, não permitiu o uso do território iraniano pelas forças aliadas. Tropas inglesas e soviéticas invadiram o Irã e depuseram o xá, que foi obrigado a abdicar do trono em favor do filho, Mohammad Reza, mais tarde co¬nhecido como (xá) Reza Pahlevi, que, por ser educado na Europa, tinha uma relação mais flexível com os britânicos.

Apoio dos EUA

Em 1951, uma crise dividiu o governo de Pahlevi. Contando com o apoio do Parla¬mento (Majlis), mas confrontando o poder do xá, o então primeiro-ministro nacio¬nalista Mohammad Mussadeq estatizou as companhias petrolíferas estrangeiras, quase todas britânicas. Sob pressão dos na¬cionalistas, Pahlevi deixou o país. Em 1953, com o apoio dos Estados Unidos (EUA), Pahlevi retornou ao Irã, comandou um golpe de Estado e depôs Mossadeq. O trono voltou para as mãos do xá e o petróleo, para o controle de britânicos e norte-americanos. Esse episódio transfor¬mou o Irã no maior aliado dos EUA no Oriente Médio.
Mas o apoio norte-americano não du¬rou muito. Enquanto a nação sofria com uma grave crise econômica, Reza Pahlevi levava uma vida de playboy. A corrupção no governo e as ações pró-Ocidente pro¬duziram forte reação do clero iraniano, majoritariamente da corrente xiita do islamismo. Para afastar qualquer possibilidade de novo golpe, o xá, com o apoio de sua polícia política, a Savak, perseguiu, torturou e matou opositores. A pesada mão-de-ferro do tirano fez com que ele perdesse o apoio dos EUA. Entre 1978 e 1979, Pahlevi teve de se defender por conta própria.

Reinado dos aiatolás

Entre os perseguidos do regime do xá estava o líder xiita aiatolá Ruhollah Khomeini, que havia sido expulso do país em 1964. Do exterior, Khomeini liderou uma coalizão de forças esquerdistas, liberais e muçulmanas tradicionalistas contra o xá e coordenou protestos. A primeira grande manifestação ocorreu em 1978, na cidade de Qum, a 120 quilômetros da capital. Os militares reprimiram o movimento, matando 70 pessoas. Em 1979, um mês depois dos grandes protestos de Teerã, Pahlevi voltou a fugir do país. Em feverei¬ro, Khomeini retornou ao Irã e foi recebido por milhões de seguidores. A queda da monarquia Pahlevi e a retomada do poder pelos fundamentalistas Xiitas ficaram conhecidas como Revolução Islâmica.
Com a aprovação da nova Constituição, o Irã foi oficialmente declarado Repú¬blica Islâmica, e um plebiscito decidiu pelo sistema presidencialista. O aiatolá Khomeini assumiu o posto de Líder Su¬premo, e, em 1980, Abolhasan Bani-Sadr foi eleito presidente.
As relações com o Ocidente voltaram a se deteriorar no fim de 1979, quando militantes islâmicos, com o apoio do governo iraniano, invadiram a embaixada dos EUA em Teerã e fizeram 66 norte-americanos reféns. O mo¬vimento pedia a extradição de Reza Pahlevi, para julgamento no Irã. Pahlevi morreu no exterior, em julho de 1980, mas os últimos reféns norte-americanos só foram libera¬dos em janeiro de 1981. Ao mesmo tempo em que desafiava os EUA, o Irã entrou em guerra contra o Iraque. Com o receio de que a Revolução Islâmica se estendesse a seu país, cuja maioria da população pertence à corrente xiita, o ditador iraquiano Saddam Hussein avançou sobre a fronteira entre os dois países, em 1980, com amplo apoio dos EUA. A Guerra Irã-Iraque acabou em 1988 sem vitorioso, com cerca de 400 mil iranianos e 300 mil iraquianos mortos.

Moderados no poder

No fim dos anos 1980, a queda no preço do petróleo, base da economia iraniana, agravou ainda mais a crise econômica e trouxe à tona divergências entre os pró¬prios aiatolás. De um lado, os moderados pregavam a abertura econômica com maior aproximação com o Ocidente, como modo de obter recursos e desenvolver o país. De outro, os radicais - entre eles, Khomeini -opunham-se a qualquer influência externa. Os moderados, que subiram ao poder após a morte de Khomeini, em 1989, ensaiaram nova reaproximação com o Ocidente, o que acabou não se concretizando.
Em 2002, as relações com os EUA fi¬caram mais tensas quando o então presi¬dente norte-americano George W. Bush classifica o Irã como integrante do "eixo do mal", sob a acusação de desenvolver armas nucleares. O Irã não deixou de le¬var adiante seu programa nuclear, alegan¬do que a tecnologia seria usada apenas para geração de energia elétrica.
Os conservadores voltaram ao poder em 2005, com a eleição para a Presidência de Mahmoud Ahmadinejad. Ao defender os valores da Revolução Islâmica e a conti¬nuidade do programa nuclear, Ahmadine¬jad acirrou a animosidade entre os EUA e o Irã. Após as eleições parlamentares, que deram a vitória aos conservadores, o presidente saiu ainda mais fortalecido.
O ano de 2009 promete novos capítulos na novela Irã versus EUA: o novo presidente norte-americano, Earack Obama, quer pros¬seguir com as negociações, insistindo no fim do programa nuclear iraniano. E Ahmadine¬jad prepara-se para a reeleição.

O que é uma. República Islâmica

República Islâmica é aquela cujo governo é dividido entre o poder secular (laico) e o religioso - no caso, muçulmano. Pela Constituição de 1979, a República Islâmica do Irã é presidencialista - ou seja, tem um presidente, eleito por voto universal e responsável pela coordenação das polí¬ticas governamentais. O Líder Supremo é
um aiatolá (um alto sacerdote da religião muçulmana), que está acima do presidente e comanda os assuntos estratégicos. Ele controla as Forças Armadas, o Poder judi¬ciário, parte do Legislativo e a hierarquia religiosa no país. O atual presidente do Irã é o conservador Mahmoud Ahmadinejad e o Líder Supremo, o aiatolá AH Khamenei.

Para saber mais leia: Atualidades vestibular – Editora Abril

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